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maio 16, 2017

Glen Lasio | Vitruvius

What Happens When, obras de Glen Lasio
Por Giovanni Pirelli

 

Glen Lasio – The Necessary Imperfetion

 

As obras apresentadas nesta exposição, pensada para os espaços da Galeria Nicoli, são um recorte parcial da produção do jovem artista italiano Glen Lasio (1), nascido em Milão em 1987, crescido entre Itália e EUA, onde se formou em belas artes no Art Institute de Chicago.

Trata-se em específico de dez pinturas realizadas entre 2014 e 2017 – parte no ateliê de Lasio em Milão e parte durante uma residência artística em São Paulo, que aconteceu em dezembro de 2015 nos espaços do projeto Marieta – e seis monotipos impressos em 2017 no laboratório de arte gráfica milanês Gate44, fundado e dirigido pelo artista.

O campo de pesquisa de Glen é a cidade e nela o artista identifica os objetos de sua representação. Dentro do ecossistema urbano, multidões de individualidades se atravessam, dialogam e conflitam, cada uma em busca de sua própria verdade; as cidades são testemunhas públicas das nossas vidas e histórias e é justamente nos vestígios remanescentes das interações entre os homens que reside o interesse do artista.

Os muros dos prédios e das casas são hoje provas materiais das relações entre os indivíduos: um prédio, com muros perimetrais brancos que beiram a via pública, recebe a marca colorida de um pichador, mas o desenho é rapidamente cancelado pelo síndico, que resolve cobrir apenas as letras do invasor, usando tinta cinza. Este muro simbólico, um dia branco e hoje marcado por cicatrizes cinza, carrega a narrativa das histórias das pessoas que o atravessaram e é um monumento à existência humana.

Enquanto encontram-se nas paredes da cidade, estes registros da passagem dos homens são sujeitos ao tempo e à dissolução, são frágeis e contingentes, e cada signo imagético que compõe nossa paisagem urbana tem um valor e um significado em relação ao seu contexto e à sua história. Ao transpor essas imagens das ruas à tela, Glen Lasio opera uma suspensão temporal e de juízo, removendo todas as determinações contextuais, todas as distâncias e os conflitos. No momento em que entram no espaço confinado da tela, os gestos humanos, antes subjetivos e carregados de significado, se esvaziam e passam a ter todos o mesmo valor dentro da obra e diante do artista, transformando-se em elementos objetivos, prontos para serem utilizados e ressignificados.

Giovanni Pirelli.

Veja resenha completa –  vitruvius.com.br

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