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Ao longo da história poucos materiais foram mais importantes para o design do que o vidro. Desde sua criação, indicada por volta de 4.000 a.c. pelos egípcios, até os dias de hoje, esse material desperta fascínio não só pelo brilho e transparência, mas principalmente pela sua qualidade amórfica e inúmeras possibilidades de uso – do vidro soprado, moldado, ou em placas.

Em sua longa trajetória, o vidro foi se tornando mais arrojado, cristalino e resistente, servindo de matéria prima para objetos decorativos da Roma Antiga, vitrais da Idade Média e elemento de fachada a partir do século XIX. Em cada uma dessas etapas novos componentes químicos eram descobertos, novas técnicas inventadas, novos usos imaginados. Esse aspecto de vanguarda parece inerente ao material, de tal maneira que ainda hoje somos capazes de nos surpreender com novas criações.

Dentro de uma rica tradição, o vidro permite ao mesmo tempo exploração e inovação, ao ponto de um elaborado vaso produzido em Murano no século XIV despertar tanta curiosidade quanto as versões gráficas criadas por Ettore Sottsass e companhia nos anos 80 para o grupo italiano Memphis. De certa forma é um material que nos aponta o futuro e foi justamente isso que outro integrante do grupo, o japonês Shiro Kuramata, percebeu já nos anos 70. O designer é responsável pela Glass Chair (1976), um dos primeiros móveis inteiramente em vidro e dos mais importantes na história do design moderno.

Kuramata havia assistido ao filme 2011: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick (1968) e se inquietou com a questão dos cenários futuristas estarem acompanhados de mobiliário da época. Assim, começou a pensar que tipo de design teria criado para o filme e teve a ideia para a cadeira, só possível de ser executada anos mais tarde, com o surgimento de um novo adesivo que permitia a união de vidro com vidro.

Sem nenhum outro material ou elemento interferindo, a Glass Chair dá a impressão de estar sustentada apenas pelo ar e, apesar de seu desenho simples, precisou de inúmeros testes para alcançar a resistência necessária.

Uma experiência que o designer resumiu da forma brilhante – “Pode ser que a cadeira abruptamente caia em pedaços, o que não é necessariamente uma coisa ruim. O vidro dá a sensação de olhar para o passado quando se estilhaça, mas quando vemos uma superfície bem polida nos dá um vislumbre do futuro”.

Dentro desse contexto, em que o material parece fonte inesgotável de inspiração e investigação, surgiu a iniciativa de unir duas novas marcas que compartilham essa vontade de inovar e um grupo de jovens designers cujos métodos apontam novos caminhos. Assim nasceu a parceria entre a Glass 11 e a Galeria Nicoli, com o propósito de acrescentar um novo capítulo na jornada do design brasileiro.

Bruno Simões, 2017.

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